sábado, 18 de março de 2017

Teatro do Absurdo

Teatro do Absurdo

1.DEFINIÇÃO

Trata-se do gênero teatral que surgiu no começo da década de 1950 na França, após a segunda guerra mundial.
O conceito foi criado em 1961 pelo crítico húngaro radicado na Inglaterra, Martin Esslin (1918-2002), tentando sintetizar uma definição que agrupasse as obras de dramaturgos de diversos países, as quais, apesar de serem completamente diferentes em suas formas, tinham como ponto central o tratamento inusitado de aspectos inesperados da vida humana.
EXEMPLO:
Em um livro-texto criado por Ionesco para o ensino de inglês, apresentava diálogos entre um casal em que, a pretexto de ensinar o vocabulário de uma estrutura familiar, reproduzia conversas absurdas entre marido e mulher como, por exemplo, esta informando ao marido que eles têm três filhos e que o sobrenome deles é Smith.
A primeira peça, "La Cantatrice Chauve" (A Cantora Careca), de Ionesco, em cuja cena mais famosa dois estranhos dialogam sobre banalidades como o tempo, o lugar onde vivem, quantos filhos têm para, surpreendentemente, descobrirem que são marido e mulher.
Esse teatro era realmente um teatro "puro", despojado de convenções, cruelmente poético, arbitrário e imaginativo.

“O teatro do absurdo se esforça por expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do pensamento discursivo e o realiza através de 'uma poesia que emerge das imagens concretas e objetificadas do próprio palco’.” ESSLIN (1961)

2. CARACTERÍSTICAS

-     Retratação de temas relacionados a aspectos e fatos inesperados do cotidiano.
-     Apresentação, nas peças teatrais, de personagens com comportamentos estranhos e bizarros. Muitas vezes o comportamento destes ocorre sem nenhuma motivação ou intensão.
-     Enredos teatrais absurdos, muitos deles sem possibilidades de existirem na vida real.
-     Muitos textos teatrais apresentam temática fútil.

3. PRINCIPAIS TEATRÓLOGOS

ü   Samuel Beccket, irlandês (1906 - 1989);
ü   Eugéne Ionesco, romeno, radicado na França (1909-1994);
ü   Arthur Adamov, russo (1908-1970);
ü   Harold Pinter, inglês (1930-2008);
ü   Fernando Arrabal, espanhol (1932);
ü   Jean Genet, francês (1910-1986);
ü   Edward Albee, estadunidense (1928);
ü   José Joaquim de Campos Leão (Qorpo santo, 1829—1883).

MARTIN ESSLIN



TEATRO DO ABSURDO SAMUEL BECKETT

EUGÉNE IONESCO

4. PRINCIPAIS OBRAS

ü Ubu Rei de Alfred Jarry, 1896.
ü As Tetas de Tiresias de Guillaume Apollinaire, de 1917.
ü As Criadas de Genet, 1947.
ü Esperando Godot de Samuel Beckett, 1949.
ü A Cantora Careca de Ionesco, 1949.
ü Picnic no Front de Arrabal, 1952.
ü O Triciclo de Arrabal, 1953.
ü Fando e Lis de Arrabal, 1955.
ü O Balcão, 1956.
ü Guernica de Arrabal, 1959.
ü Os Rinocerontes de Ionesco, 1959.
ü O Improviso De Ohio de Samuel Beckett,1980. “The dignity of man lies in his ability to face reality in all its meaninglessness.”
“A dignidade do homem reside na sua capacidade de enfrentar a realidade em toda a sua falta de sentido.” (MARTIN ESSLIN)
“A arte sempre foi isto - interrogação pura, questão retórica sem a retórica - embora se diga que aparece pela realidade social.” (SAMUEL BECKETT)
“Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem.”(SAMUEL BECKETT)

Nenhum comentário:

Postar um comentário