Teatro do Absurdo
1.DEFINIÇÃO
Trata-se do gênero teatral
que surgiu no começo da década de 1950 na França, após a segunda guerra
mundial.
O conceito foi criado em
1961 pelo crítico húngaro radicado na Inglaterra, Martin Esslin (1918-2002),
tentando sintetizar uma definição que agrupasse as obras de dramaturgos de
diversos países, as quais, apesar de serem completamente diferentes em suas formas,
tinham como ponto central o tratamento inusitado de aspectos inesperados da
vida humana.
EXEMPLO:
Em um livro-texto criado
por Ionesco para o ensino de inglês, apresentava diálogos entre um casal em
que, a pretexto de ensinar o vocabulário de uma estrutura familiar, reproduzia
conversas absurdas entre marido e mulher como, por exemplo, esta informando ao
marido que eles têm três filhos e que o sobrenome deles é Smith.
A primeira peça, "La Cantatrice Chauve" (A Cantora
Careca), de Ionesco, em cuja cena mais famosa dois estranhos dialogam sobre
banalidades como o tempo, o lugar onde vivem, quantos filhos têm para,
surpreendentemente, descobrirem que são marido e mulher.
Esse teatro era realmente um teatro "puro", despojado
de convenções, cruelmente poético, arbitrário e imaginativo.
“O teatro do absurdo se esforça por
expressar o sentido do sem sentido da condição humana, e a inadequação da
abordagem racional, através do abandono dos instrumentos racionais e do
pensamento discursivo e o realiza através de 'uma poesia que emerge das imagens
concretas e objetificadas do próprio palco’.” ESSLIN (1961)
2. CARACTERÍSTICAS
-
Retratação de temas
relacionados a aspectos e fatos inesperados do cotidiano.
-
Apresentação, nas peças
teatrais, de personagens com comportamentos estranhos e bizarros. Muitas vezes
o comportamento destes ocorre sem nenhuma motivação ou intensão.
-
Enredos teatrais absurdos,
muitos deles sem possibilidades de existirem na vida real.
-
Muitos textos teatrais
apresentam temática fútil.
3. PRINCIPAIS TEATRÓLOGOS
ü Samuel Beccket, irlandês (1906 - 1989);
ü Eugéne Ionesco, romeno, radicado na França (1909-1994);
ü Arthur Adamov, russo (1908-1970);
ü Harold Pinter, inglês (1930-2008);
ü Fernando Arrabal, espanhol (1932);
ü Jean Genet, francês (1910-1986);
ü Edward Albee, estadunidense (1928);
ü José Joaquim de Campos Leão (Qorpo santo, 1829—1883).
MARTIN ESSLIN
TEATRO
DO ABSURDO SAMUEL BECKETT
EUGÉNE IONESCO
4. PRINCIPAIS OBRAS
ü Ubu Rei de Alfred Jarry, 1896.
ü As Tetas de Tiresias de Guillaume Apollinaire,
de 1917.
ü As Criadas de Genet, 1947.
ü Esperando Godot de Samuel Beckett, 1949.
ü A Cantora Careca de Ionesco, 1949.
ü Picnic no Front de Arrabal, 1952.
ü O Triciclo de Arrabal, 1953.
ü Fando e Lis de Arrabal, 1955.
ü O Balcão, 1956.
ü Guernica de Arrabal, 1959.
ü Os Rinocerontes de Ionesco, 1959.
ü
O Improviso De Ohio de
Samuel Beckett,1980. “The dignity of man lies in his ability to face
reality in all its meaninglessness.”
“A dignidade do homem
reside na sua capacidade de enfrentar a realidade em toda a sua falta de
sentido.” (MARTIN ESSLIN)
“A arte sempre foi isto - interrogação
pura, questão retórica sem a retórica - embora se diga que aparece pela
realidade social.” (SAMUEL BECKETT)
“Todos nós nascemos loucos.
Alguns permanecem.”(SAMUEL BECKETT)



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