1. DEFINIÇÃO
É um método teatral que
reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais. Os seus principais objetivos são a
democratização dos meios de produção teatral, o acesso das camadas sociais
menos favorecidas e a transformação da realidade. O teatro aliado a ação social.
O “TO, pretende transformar o espectador, em sujeito atuante, transformador da ação dramática que lhe é
apresentada, de forma que ele mesmo, espectador, passe a protagonista e
transformador da ação dramática.
2. O TEATROLÓGO AUGUSTO BOAL
Augusto Pinto Boal, nasceu
em 16/03/1931 no Rio de Janeiro e faleceu em 02/05/2009, aos 78 anos. Além do
criador do TO, era dramaturgo, diretor e teórico de teatro, uma das grandes
figuras do teatro contemporâneo internacional. Dirigiu centros de teatro na
França e no RJ. Concluiu o curso de química na Universidade Federal do Rio de
Janeiro UFRJ, em 1950; Em Nova York, estuda teatro na Universidade de Columbia.
Cursa direção e dramaturgia, tendo John Gassner (importante crítico do século
XX e historiador do teatro norte-americano) como um de seus mestres.
AUGUSTO BOAL
3. HISTORICIDADE
O TO destaca-se com maior
força durante a ditadura militar (1964-1985) que reprimiu com maior força a voz
do povo e de seus representantes, nos diferentes âmbitos sociais, Boal aliou-se
a educadores e intelectuais da América Latina, dispostos a desenvolverem uma
tomada de consciência dos oprimidos, a começar pelo projeto de alfabetização
(ALFIN) no Peru, na década de setenta, cuja concepção metodológica era
inspirada na pedagogia do oprimido de Paulo Freire.
Ele buscava sempre lutar
contra todas as formas de opressão, desenvolvendo na sua luta a favor dos
explorados e oprimidos, um teatro de cunho político, libertário e
transformador.
4. PRINCIPAIS FORMAS/TÉCNICAS
O Teatro-Jornal foi uma resposta estética à censura imposta, no
Brasil, no início dos anos 70, pelos militares, para escamotearem conteúdos,
inventarem verdades e iludirem. Nesta técnica, encena-se o que se perdeu nas
entrelinhas das notícias censuradas, criando imagens que revelam silêncios.
Criada em 1971, no Teatro
de Arena de São Paulo, esta técnica foi
muito utilizada na época da ditadura militar brasileira, para revelar
informações distorcidas pelos jornais da época, todos sob censura oficial.
Ainda hoje é usada para explicitar as manipulações utilizadas pelos meios de
comunicação.
No Teatro-Imagem, a encenação baseia-se nas linguagens não-verbais.
Essa foi uma saída encontrada por Boal para trabalhar com indígenas, no Chile,
de etnias distintas com línguas maternas diversas, que participavam de um
programa de alfabetização e precisavam se comunicar entre si. Esta técnica
teatral transforma questões, problemas e sentimentos em imagens concretas.
A partir da leitura da
linguagem corporal, busca-se a compreensão dos fatos representados na imagem,
que é real enquanto imagem. A imagem é uma realidade existente sendo, ao mesmo
tempo, a representação de uma realidade vivenciada.
A dramaturgia simultânea
era uma espécie de tradução feita por artistas sobre os problemas vividos pelo
povo. Aí nasceu o Teatro-Fórum, onde
a barreira entre palco e platéia é destruída e o Diálogo implementado.
Produz-se uma encenação baseada em fatos reais, na qual personagens oprimidos e
opressores entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus
desejos e interesses.
No confronto, o oprimido
fracassa e o público é estimulado, pelo Curinga (o facilitador do Teatro do
Oprimido), a entrar em cena, substituir o protagonista (o oprimido) e buscar
alternativas para o problema encenado.
O “Teatro Invisível”, cuja proposta é a representação de uma cena
diante de pessoas que não sabem que estão sendo espectadoras da ação dramática,
e precisa acontecer num ambiente diferente do teatral, o mais dentro do
cotidiano das pessoas. Para esta forma de apresentação é preciso a preparação
de um roteiro de improvisação, onde já se ensaie a possível interferência do
espectador no ato estético coletivo.
Cabe aos atores prolongarem
a discussão dos espectadores a respeito do tema abordado na cena, de forma que
outros “atores anônimos” se insiram no contexto e reafirme a veracidade da ação
para o espectador, que neste momento já passa a ser protagonista da ação
teatral proposta. É imprescindível o caráter invisível dos atores para que os
espec-atores atuem com liberdade.
5. PRINCIPAIS OBRAS
ü Ratos e Homens, de John Steinbeck (1956)
1ª
Direção/ 1°Prêmio da Assoc. Paulista de Críticos de Artes - APCA, como
revelação de diretor.
ü Marido Magro, Mulher Chata, (1957)
ü A Farsa da Esposa Perfeita (1959)
ü Revolução na América do Sul
(1960)
ü O Testamento do Cangaceiro
(1961)
ü Mandrágora (1962)
Muito
apreciado por seus valores estéticos: a boa carpintaria dramática, "o
frescor da interpretação, maliciosa, irônica, positiva na sua mensagem".
“O Teatro do Oprimido
é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores
- porque atuam - e espectadores - porque observam"
Assistam a baixo um documentário do Canal do Rafael Campos
https://www.youtube.com/channel/UCtVkssSdqqnanotqYJnPZJQ

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