I -
DISPOSIÇÃO
“Porque Esdras tinha disposto
o coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir e para ensinar em
Israel e seus estatutos e os seus juízos.”
(Ed 7:10)
Esdras,
em nenhuma parte da história pediu uma motivação financeira, para poder estar
disponível para a obra de Deus, ao contrário, ninguém se quer o chamou, o seu
coração ardeu antes de qualquer possível chamado.
No
teatro cristão, não é diferente, um grupo começa quando existem pessoas que se
cansaram do nada, da estagnação, de um aparente conforto, para uma obra
inquieta e árdua, se compõe de pessoas que dizem pra Deus, que sabem que
talvez, não ganhem nada financeiramente, porém se colocam disponíveis para
pagar micos em prol do Reino de Deus.
No
início de um ministério, se tem diamantes cheios de carvão precisando ser
moldados, a arma para o verdadeiro diamante aparecer, é a disposição.
Disposição
é sério, precisa-se estar:
ü Disposto
para apagar o passado, confessando os erros ao Senhor;
ü Disposto
a corrigir-se;
ü Disposto
a ler a Bíblia;
ü Disposto
a orar;
ü Disposto
a pregar o evangelho nos lugares mais improváveis, para qualquer pessoa;
ü Disposto
a sempre aprender técnicas novas;
ü Disposto
a praticar o hábito de sonhar.
Perceba
que Esdras queria se preparar para anunciar a lei do Senhor primeiro em sua cidade.
Muita gente entra em um grupo de teatro visando outras igrejas, outras cidades,
quando na verdade precisa começar na sua igreja, na sua cidade e depois, nos
confins da terra (At 1:8).
Com
relação à disposição, lembro-me dos setecentos homens canhotos de juízes 20:16,
já não é muito fácil acertar um fio de cabelo sendo destro, imagine só sendo
canhoto, porém o diferencial destes é que eles treinavam arduamente, eles
tinham disposição pra o treino. No Teatro Cristão precisamos ter a mesma
disposição desses homens para ensaiar e oferecer o melhor ao nosso Deus.
II – GUIADOS
“Quando vier, porém o
Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade, porque não falará
por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que
hão de vir.” (Jo 16:13)
No
Teatro Cristão precisamos focalizar qual será o alvo de nossa encenação, e as
vezes, se é propriamente para a igreja, se para presidiários, doentes, idosos,
crianças, etc. O que não sabemos é como está a igreja, os presidiários, e essa
função não depende de nós, mas de alguém que sonda nossos corações, chamado
Espírito Santo.
Se pegarmos uma folha de papel, uma caneta e
decidirmos escrever um script sairá e comoverá a razão, porém a alma só será
atingida, se esse script for inspirado por intermédio do Espírito Santo.
Em
Atos 2: 14-36, vemos Pedro, um cara que antes de saber quem era o Espírito
Santo, era violento, impulsivo, decapitou a orelha de um soldado, negou ser
discípulo de Jesus depois de andar 3 anos com ele, mas quando decidiu confiar
tudo o que era e o que poderia ser ao Espírito Santo, foi guiado em palavras
sábias e ungidas, que resultaram de quase 3 mil pessoas convertidas a Cristo.
Uma
peça só impactará pessoas e nações, se forem escritas com as verdades que o
Espírito Santo ouvir de Deus, para o alvo de uma apresentação.
Não
precisa se auto convidar, se nos entregarmos ao Espírito Santo, Ele nos guiará
ao lugar certo, para a pessoa certa, o alvo certo, assim como foi com Felipe e
o Eunuco (At8:26-40).
III –
REDIRECIONANDO DOS DONS
“Não reine, portanto, o
pecado em vosso corpo mortal…nem ofereçais cada um dos membros do seu corpo ao
pecado…mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos
membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá
domínio sobre vós..” (Rm 6:12-14a)
Muitos de nós, no antes e no
outrora (e quando falo “nós”, é nos que emprestamos o corpo, a voz, o gingado
em um personagem teatral) tínhamos nossas vidas regidas pelo prazer, era bem
vinda, e a arte nos proporciona isso.
Antes de conhecermos Cristo,
se ouvíssemos uma batida mais interessante, mais envolvente, lá estávamos nós,
dançando incansáveis, se parássemos para assistir uma novela, um filme, o nosso
desejo era um dia poder fazer um teste televisivo e enfim fazer parte de um
elenco, mas a pergunta que não quer calar é: Pra quê dançar? Pra quem dançar? O
que eu ganho? Pra que fazer parte de um elenco de novela? Na maioria das vezes,
a resposta mais óbvia seria: DINHEIRO, FAMA, CONTATOS, REFLETORES, SUCESSO…
Eu tenho uma opinião, em minha
cabeça um pouco agitada, sobre o significado da palavra “prostituição”, e ela
seria mais ou menos assim: Ato de
substituir a função original criada ou dada por Deus a um ser, por outro ato
fútil de sua função original.
Exemplificando, uma prostituta
que vende seu corpo para dar prazer sexual por um período, e por certa
quantidade financeira, quando Deus onisciente, onipotente e onipresente criou o
sexo para o prazer de um casal CASADO, sem fins lucrativos. Isso reflete um
desvio original do objetivo do nosso corpo e do sexo.
Tal como acontece, com as
prostitutas, o mesmo vem acontecendo com os nossos dons. Sendo que foi Deus que
deu aos homens (I Co 7:7), os homens não devolvem o resultado destes dons a
quem realmente merece.
Por isso, no Teatro Cristão o
que fazemos é parar de utilizar nosso corpo e seus membros (inclusive os órgãos
genitais) como objeto de honra e glória a Satanás e oferece-lo como objeto de
justiça na terra ao nosso Deus, já que tudo que existe no nosso corpo pode e
deve ser usado no teatro.
Se antes dançávamos para o
inimigo de nossas almas, agora dançamos para celebrar a vitória;
Se apresentávamos peças sem
objetivo, agora para ganhar almas pro Reino de Deus;
Se cantávamos só por mera
música, que saia um novo cântico de louvor ao nosso Deus.
IV
– COM O QUE TEMOS E SOMOS
“Quem és
tu ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode o objeto pode perguntar
a quem o fez: porque me fizeste assim?”
Em minha adolescência me
questionava, porque eu era tão magro, porque Deus não me deu um pouco mais de
carne, músculos? Acredito que muitos ainda passam por essas perguntas. Quando
li este versículo, percebi que Deus tem um propósito para tudo quanto faz, do
jeito que faz.
No teatro, como na vida, eu
preciso me amar, me aceitar como sou, como vaso terminado pelo oleiro, se sou
gordinho, magrinho, alto, baixo, se minha voz é grave ou aguda, se não falo, se
sou anão, a obra de Deus é feita com o que temos e somos.
Posso não ter participado de
todas as peças, porém vai haver peças naquela pessoa, o papel ficaria mal
interpretado.
Isso é o que somos.
Ainda existem pessoas que
querem fazer parte da família teatral, porém não querem encenar, é onde
descobrimos o que temos. Podemos ter um figurinista, um maquiador, um
cenógrafo, alguém que trabalhe com a divulgação, fotografia, e melhor ainda,
pode ser um intercessor, que é mais que fundamental em um ministério.
O interessante é que saiamos
da zona de conforto, mesmo que seja com trombetas, cântaros vazios e tochas (Jz
7:16) e vençamos essa guerra espiritual.
V
– FORMA DE ADORAÇÃO
“Porque
fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso
corpo”. (I Co 6:20)
Temos uma ideia um tanto
errada sobre adoração, às vezes achamos que adoração se resume em cantar
louvores, de olhos fechados.
“A adoração não é estilo
musical, ou um ritmo, adoração é um estilo de vida.” (PG)
O teatro cristão precisa estar
engajado neste conceito, de que existe para glorificar a Deus com nossos dons
no nosso corpo.
Adoração é uma espécie de
devoção, eu devoto a minha vida a alguém maior que eu, mais poderoso, mais
sábio, que conhece tudo e todos, e eu posso fazer isso de várias formas, com o
meu louvor, com minha oração, como ler a palavra e no nosso caso com o teatro,
com o nosso corpo, corpo esse que antes, como foi falado anteriormente agradava
aquele que queria nos destruir, e hoje adoramos aquele que nos construiu.
Quando você compra uma TV por
assinatura, você tem total direito sobre ela, e espera que ela atenda a uma
vontade sua, de assistir muitos canais, se você paga por ela, é sua. Nós somos
comprados por preço de sangue, e tudo que o nosso Dono quer é que venhamos
funcionar, para satisfazer a sua vontade.
Somos prova de tantas vezes
apresentarmos, e de repente a glória nos enche e transborda a toda igreja.
VI
– É UMA PREGAÇÃO
“Perseverai
na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por
vós, para que Deus nos abra a porta à Palavra, a fim de falarmos do
mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste,
como devo fazer.” (Cl 4:2-4)
Essa é uma das partes mais
sérias do Teatro Cristão, é aqui que se inicia a partida para uma corrida onde
não existe um vencedor, mas para o que permanecer até o fim, esse herdará a
coroa da vida.
Jesus em sua ascensão chama os
discípulos, o seu grupo e dar uma ordem: Vão! E o mais incrível é que esse
grito de Jesus rompeu os séculos, as gerações e chega aos nossos dias como um
longo suspiro que nós ouvimos assim: IDE, MISSÕES!
Subir em um púlpito, um altar,
não é muito fácil, principalmente quando tudo o que você disser, poderá e será
usado contra você. Quando chegamos em algum lugar, nos vestimos, nos maquiamos,
e nos preparamos para fazer as pessoas se verem em nós, através de nossos
personagens, carregamos a responsabilidade de após sairmos ou finalizarmos a
peça, continuarmos vigilantes. Já vi pessoas não suportarem a guerra e
desistirem pela pressão psicológica, vi pessoas não querendo fazer papéis de
prostitutas, velhos, drogados e tantos outros, com medo ou receio de mexer no
passado (passado que precisa estar enterrado). O teatro cristão não existe para
brilhar, e sim fazer Cristo brilhar de muitas formas.
Certho irmão me testemunhou
que já havia lido o texto bíblico da armadura de Deus, várias vezes, porém
nunca havia conseguido enxergar a cena, até assistir a apresentação de uma das
nossas peças: “Armadura” (para honra e glória de Deus!)
Com nossas vidas
contextualizamos a palavra de Deus.
Paulo pedia algo no versículo
3, que se abra a porta à Palavra, para ele contar os mistérios de Deus. Nosso
desejo, como disse, não é que saiamos até que o nome do grupo seja reconhecido,
mas para que Deus nos dê chance de mostrar alguns mistérios de Deus, através de
nós.
Agora todos precisam comprar a
visão do reino, a consagração individual e grupal, e verdadeiramente
testemunhar, se não ninguém dará crédito.
VII
– TESTEMUNHO SEM PALAVRAS
“Não seja neófito, para não acontecer que se
ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que
ele tenha bons testemunhos dos de fora, afim de não cair no opróbrio e
no laço do diabo.”
O justo popularmente dito, não
é o que se diz ser justo, mas os que os outros dizem. Quando me olha
apresentando, e falando sobre o amor, perdão, santidade, vigilância, espera em
Deus, sonhos, força, oração, jejum, missões, veem um crente compromissado com
Cristo, e mesmo que lá fora eu não diga uma palavra, se os frutos do espírito
estão em mim, o mundo me conhecerá.
A bíblia diz em Hebreus 12: 1,
que somos observados todo o tempo por todos, se um viciado em drogas passar com
um baseado na mão, ninguém liga tanto, mas se um filho de crente for comprar
cigarro no mercantil para um tio ou coisa assim, é escândalo! É simples
explicar o porquê. Quem anda na luz é mais visível do que quem anda na
escuridão.
Quando você recebe Jesus, como
Senhor e Salvador, recebe um novo nome que é: CRENTE! Quando participa de um
ministério de teatro, você
Agora é: O IRMÃOZINHO DO
TEATRO!
Por isso, o seu mau testemunho
acaba com você, com sua igreja, com o nome de Cristo, com a reputação do
ministério, fazendo com que as portas venham se fechar para a pregação do
Evangelho.
Somos uma aliança feitas de
corrente, se alguma coisa quebrar, os outros ficam pendurados.
Então: TESTEMUNHO IRMÃO! VIGIA
VASO!
VIII
– DEUS NÃO TEM SÓ UMA FORMA DE TRABALHAR
“Servi
uns aos outros cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da
multiforme graça de Deus. Se alguém fale, fale de acordo com os oráculos de
Deus; se alguém serve, faça na força que Deus supre, para que em todas as
coisas, Deus seja glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a
glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (I Pe 4: 10,11)
Às vezes, queremos limitar o
nosso Deus, dizemos e cantamos que queremos dar o nosso melhor, porém na
prática nem sempre isso acontece.
Dizemos que Deus é
todo-poderoso, que é conhecedor de tudo, e está em todos os lugares, mas o
único louvor que o agrada é o da harpa cristã.
Pergunto-me, por que o ser
humano quer entregar tudo de mãos beijadas para Satanás? O rock é do diabo, o
reggae é do diabo, o pop é do diabo, a calça é do diabo, a camiseta é do diabo,
a bateria é do diabo, o cavanhaque é do diabo, e o que sobra pra Deus?
Deus não tem uma só forma de
trabalhar, o mar vermelho se abriu com o toque do cajado de Moisés, porém um
rio se abriu com o toque da capa de um profeta, eu fiui alcançado de um jeito,
você talvez por um louvor, uma mensagem, por um testemunho de alguém, Deus fala
comigo de uma maneira, com você fala de outra, ele não se limita a um método
pré-programado do ser humano.
Deus é multiforme graça.
E não aceitamos que a arte
seja do capeta, a arte é do Senhor Jesus, do nosso, e para o nosso Deus (Sl
33:3).
Cada um use o dom que Deus
deu, para fazer a obra árdua, mas graciosa e recompensadora do Evangelho.
Janaílson Oliverson
Ator, diretor(não formado), levita, escritor, humano.
voce sabe alguma coisa sobre a historia do teatro cristão.
ResponderExcluir