domingo, 3 de julho de 2016

Estudo sobre Teatro Cristão


I - DISPOSIÇÃO
“Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir e para ensinar em Israel e seus estatutos e os seus juízos.”
 (Ed 7:10)
Esdras, em nenhuma parte da história pediu uma motivação financeira, para poder estar disponível para a obra de Deus, ao contrário, ninguém se quer o chamou, o seu coração ardeu antes de qualquer possível chamado.
No teatro cristão, não é diferente, um grupo começa quando existem pessoas que se cansaram do nada, da estagnação, de um aparente conforto, para uma obra inquieta e árdua, se compõe de pessoas que dizem pra Deus, que sabem que talvez, não ganhem nada financeiramente, porém se colocam disponíveis para pagar micos em prol do Reino de Deus.
No início de um ministério, se tem diamantes cheios de carvão precisando ser moldados, a arma para o verdadeiro diamante aparecer, é a disposição.
Disposição é sério, precisa-se estar:
ü   Disposto para apagar o passado, confessando os erros ao Senhor;
ü   Disposto a corrigir-se;
ü   Disposto a ler a Bíblia;
ü   Disposto a orar;
ü   Disposto a pregar o evangelho nos lugares mais improváveis, para qualquer pessoa;
ü   Disposto a sempre aprender técnicas novas;
ü   Disposto a praticar o hábito de sonhar.
Perceba que Esdras queria se preparar para anunciar a lei do Senhor primeiro em sua cidade. Muita gente entra em um grupo de teatro visando outras igrejas, outras cidades, quando na verdade precisa começar na sua igreja, na sua cidade e depois, nos confins da terra (At 1:8).
Com relação à disposição, lembro-me dos setecentos homens canhotos de juízes 20:16, já não é muito fácil acertar um fio de cabelo sendo destro, imagine só sendo canhoto, porém o diferencial destes é que eles treinavam arduamente, eles tinham disposição pra o treino. No Teatro Cristão precisamos ter a mesma disposição desses homens para ensaiar e oferecer o melhor ao nosso Deus.

II – GUIADOS
“Quando vier, porém o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16:13)

No Teatro Cristão precisamos focalizar qual será o alvo de nossa encenação, e as vezes, se é propriamente para a igreja, se para presidiários, doentes, idosos, crianças, etc. O que não sabemos é como está a igreja, os presidiários, e essa função não depende de nós, mas de alguém que sonda nossos corações, chamado Espírito Santo.
 Se pegarmos uma folha de papel, uma caneta e decidirmos escrever um script sairá e comoverá a razão, porém a alma só será atingida, se esse script for inspirado por intermédio do Espírito Santo.
Em Atos 2: 14-36, vemos Pedro, um cara que antes de saber quem era o Espírito Santo, era violento, impulsivo, decapitou a orelha de um soldado, negou ser discípulo de Jesus depois de andar 3 anos com ele, mas quando decidiu confiar tudo o que era e o que poderia ser ao Espírito Santo, foi guiado em palavras sábias e ungidas, que resultaram de quase 3 mil pessoas convertidas a Cristo.
Uma peça só impactará pessoas e nações, se forem escritas com as verdades que o Espírito Santo ouvir de Deus, para o alvo de uma apresentação.
Não precisa se auto convidar, se nos entregarmos ao Espírito Santo, Ele nos guiará ao lugar certo, para a pessoa certa, o alvo certo, assim como foi com Felipe e o Eunuco (At8:26-40).

  
III – REDIRECIONANDO DOS DONS
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal…nem ofereçais cada um dos membros do seu corpo ao pecado…mas oferecei-vos a Deus como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós..” (Rm 6:12-14a)

Muitos de nós, no antes e no outrora (e quando falo “nós”, é nos que emprestamos o corpo, a voz, o gingado em um personagem teatral) tínhamos nossas vidas regidas pelo prazer, era bem vinda, e a arte nos proporciona isso.
Antes de conhecermos Cristo, se ouvíssemos uma batida mais interessante, mais envolvente, lá estávamos nós, dançando incansáveis, se parássemos para assistir uma novela, um filme, o nosso desejo era um dia poder fazer um teste televisivo e enfim fazer parte de um elenco, mas a pergunta que não quer calar é: Pra quê dançar? Pra quem dançar? O que eu ganho? Pra que fazer parte de um elenco de novela? Na maioria das vezes, a resposta mais óbvia seria: DINHEIRO, FAMA, CONTATOS, REFLETORES, SUCESSO…
Eu tenho uma opinião, em minha cabeça um pouco agitada, sobre o significado da palavra “prostituição”, e ela seria mais ou menos assim: Ato de substituir a função original criada ou dada por Deus a um ser, por outro ato fútil de sua função original.
Exemplificando, uma prostituta que vende seu corpo para dar prazer sexual por um período, e por certa quantidade financeira, quando Deus onisciente, onipotente e onipresente criou o sexo para o prazer de um casal CASADO, sem fins lucrativos. Isso reflete um desvio original do objetivo do nosso corpo e do sexo.
Tal como acontece, com as prostitutas, o mesmo vem acontecendo com os nossos dons. Sendo que foi Deus que deu aos homens (I Co 7:7), os homens não devolvem o resultado destes dons a quem realmente merece.
Por isso, no Teatro Cristão o que fazemos é parar de utilizar nosso corpo e seus membros (inclusive os órgãos genitais) como objeto de honra e glória a Satanás e oferece-lo como objeto de justiça na terra ao nosso Deus, já que tudo que existe no nosso corpo pode e deve ser usado no teatro.

Se antes dançávamos para o inimigo de nossas almas, agora dançamos para celebrar a vitória;
Se apresentávamos peças sem objetivo, agora para ganhar almas pro Reino de Deus;
Se cantávamos só por mera música, que saia um novo cântico de louvor ao nosso Deus.



IV – COM O QUE TEMOS E SOMOS

“Quem és tu ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode o objeto pode perguntar a quem o fez: porque me fizeste assim?”

Em minha adolescência me questionava, porque eu era tão magro, porque Deus não me deu um pouco mais de carne, músculos? Acredito que muitos ainda passam por essas perguntas. Quando li este versículo, percebi que Deus tem um propósito para tudo quanto faz, do jeito que faz.
No teatro, como na vida, eu preciso me amar, me aceitar como sou, como vaso terminado pelo oleiro, se sou gordinho, magrinho, alto, baixo, se minha voz é grave ou aguda, se não falo, se sou anão, a obra de Deus é feita com o que temos e somos.
Posso não ter participado de todas as peças, porém vai haver peças naquela pessoa, o papel ficaria mal interpretado.
Isso é o que somos.
Ainda existem pessoas que querem fazer parte da família teatral, porém não querem encenar, é onde descobrimos o que temos. Podemos ter um figurinista, um maquiador, um cenógrafo, alguém que trabalhe com a divulgação, fotografia, e melhor ainda, pode ser um intercessor, que é mais que fundamental em um ministério.
O interessante é que saiamos da zona de conforto, mesmo que seja com trombetas, cântaros vazios e tochas (Jz 7:16) e vençamos essa guerra espiritual.


V – FORMA DE ADORAÇÃO

“Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo”. (I Co 6:20)

Temos uma ideia um tanto errada sobre adoração, às vezes achamos que adoração se resume em cantar louvores, de olhos fechados.
“A adoração não é estilo musical, ou um ritmo, adoração é um estilo de vida.” (PG)
O teatro cristão precisa estar engajado neste conceito, de que existe para glorificar a Deus com nossos dons no nosso corpo.
Adoração é uma espécie de devoção, eu devoto a minha vida a alguém maior que eu, mais poderoso, mais sábio, que conhece tudo e todos, e eu posso fazer isso de várias formas, com o meu louvor, com minha oração, como ler a palavra e no nosso caso com o teatro, com o nosso corpo, corpo esse que antes, como foi falado anteriormente agradava aquele que queria nos destruir, e hoje adoramos aquele que nos construiu.
Quando você compra uma TV por assinatura, você tem total direito sobre ela, e espera que ela atenda a uma vontade sua, de assistir muitos canais, se você paga por ela, é sua. Nós somos comprados por preço de sangue, e tudo que o nosso Dono quer é que venhamos funcionar, para satisfazer a sua vontade.
Somos prova de tantas vezes apresentarmos, e de repente a glória nos enche e transborda a toda igreja.

VI – É UMA PREGAÇÃO

“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. Suplicai, ao mesmo tempo, também por vós, para que Deus nos abra a porta à Palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer.” (Cl 4:2-4)

Essa é uma das partes mais sérias do Teatro Cristão, é aqui que se inicia a partida para uma corrida onde não existe um vencedor, mas para o que permanecer até o fim, esse herdará a coroa da vida.
Jesus em sua ascensão chama os discípulos, o seu grupo e dar uma ordem: Vão! E o mais incrível é que esse grito de Jesus rompeu os séculos, as gerações e chega aos nossos dias como um longo suspiro que nós ouvimos assim: IDE, MISSÕES!
Subir em um púlpito, um altar, não é muito fácil, principalmente quando tudo o que você disser, poderá e será usado contra você. Quando chegamos em algum lugar, nos vestimos, nos maquiamos, e nos preparamos para fazer as pessoas se verem em nós, através de nossos personagens, carregamos a responsabilidade de após sairmos ou finalizarmos a peça, continuarmos vigilantes. Já vi pessoas não suportarem a guerra e desistirem pela pressão psicológica, vi pessoas não querendo fazer papéis de prostitutas, velhos, drogados e tantos outros, com medo ou receio de mexer no passado (passado que precisa estar enterrado). O teatro cristão não existe para brilhar, e sim fazer Cristo brilhar de muitas formas.
Certho irmão me testemunhou que já havia lido o texto bíblico da armadura de Deus, várias vezes, porém nunca havia conseguido enxergar a cena, até assistir a apresentação de uma das nossas peças: “Armadura” (para honra e glória de Deus!)
Com nossas vidas contextualizamos a palavra de Deus.
Paulo pedia algo no versículo 3, que se abra a porta à Palavra, para ele contar os mistérios de Deus. Nosso desejo, como disse, não é que saiamos até que o nome do grupo seja reconhecido, mas para que Deus nos dê chance de mostrar alguns mistérios de Deus, através de nós.
Agora todos precisam comprar a visão do reino, a consagração individual e grupal, e verdadeiramente testemunhar, se não ninguém dará crédito.

VII – TESTEMUNHO SEM PALAVRAS

“Não seja neófito, para não acontecer que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bons testemunhos dos de fora, afim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.”
O justo popularmente dito, não é o que se diz ser justo, mas os que os outros dizem. Quando me olha apresentando, e falando sobre o amor, perdão, santidade, vigilância, espera em Deus, sonhos, força, oração, jejum, missões, veem um crente compromissado com Cristo, e mesmo que lá fora eu não diga uma palavra, se os frutos do espírito estão em mim, o mundo me conhecerá.
A bíblia diz em Hebreus 12: 1, que somos observados todo o tempo por todos, se um viciado em drogas passar com um baseado na mão, ninguém liga tanto, mas se um filho de crente for comprar cigarro no mercantil para um tio ou coisa assim, é escândalo! É simples explicar o porquê. Quem anda na luz é mais visível do que quem anda na escuridão.
Quando você recebe Jesus, como Senhor e Salvador, recebe um novo nome que é: CRENTE! Quando participa de um ministério de teatro, você
Agora é: O IRMÃOZINHO DO TEATRO!
Por isso, o seu mau testemunho acaba com você, com sua igreja, com o nome de Cristo, com a reputação do ministério, fazendo com que as portas venham se fechar para a pregação do Evangelho.
Somos uma aliança feitas de corrente, se alguma coisa quebrar, os outros ficam pendurados.
Então: TESTEMUNHO IRMÃO! VIGIA VASO!


VIII – DEUS NÃO TEM SÓ UMA FORMA DE TRABALHAR

“Servi uns aos outros cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fale, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça na força que Deus supre, para que em todas as coisas, Deus seja glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (I Pe 4: 10,11)

Às vezes, queremos limitar o nosso Deus, dizemos e cantamos que queremos dar o nosso melhor, porém na prática nem sempre isso acontece.
Dizemos que Deus é todo-poderoso, que é conhecedor de tudo, e está em todos os lugares, mas o único louvor que o agrada é o da harpa cristã.
Pergunto-me, por que o ser humano quer entregar tudo de mãos beijadas para Satanás? O rock é do diabo, o reggae é do diabo, o pop é do diabo, a calça é do diabo, a camiseta é do diabo, a bateria é do diabo, o cavanhaque é do diabo, e o que sobra pra Deus?
Deus não tem uma só forma de trabalhar, o mar vermelho se abriu com o toque do cajado de Moisés, porém um rio se abriu com o toque da capa de um profeta, eu fiui alcançado de um jeito, você talvez por um louvor, uma mensagem, por um testemunho de alguém, Deus fala comigo de uma maneira, com você fala de outra, ele não se limita a um método pré-programado do ser humano.
Deus é multiforme graça.
E não aceitamos que a arte seja do capeta, a arte é do Senhor Jesus, do nosso, e para o nosso Deus (Sl 33:3).

Cada um use o dom que Deus deu, para fazer a obra árdua, mas graciosa e recompensadora do Evangelho.

Janaílson Oliverson
Ator, diretor(não formado), levita, escritor, humano.

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